Setores atingidos pelo tarifaço de Donald Trump começam a discutir medidas com o governo

Setores atingidos pelo tarifaço de Donald Trump começam a discutir medidas com o governo
Operação de transporte de cargas em porto — Foto: Bruno Leão/ Sedecti/ Reprodução g1

O governo federal dará início, nesta terça-feira (21), a uma série de reuniões com representantes dos setores que devem sentir os efeitos da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A medida foi anunciada na última semana pelo governo norte-americano e começa a valer nesta quarta-feira (22).

O objetivo dos encontros é discutir alternativas para reduzir os impactos da taxação sobre empresas e trabalhadores. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, o governo já possui mecanismos preparados para minimizar os prejuízos causados pela medida. Apesar da preocupação com alguns setores específicos, a equipe econômica avalia que o tarifaço não deve comprometer o desempenho da economia brasileira como um todo.

Pelos cálculos do governo, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão afetadas pela nova tarifa. A sobretaxa foi anunciada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Apesar da decisão, diversos produtos brasileiros ficaram de fora da nova cobrança. O governo brasileiro criticou a medida, afirmando que ela não possui justificativa econômica e teria sido motivada por razões políticas. Em nota oficial, classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países e informou que poderá adotar medidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica.

Nos últimos meses, representantes brasileiros mantiveram negociações com autoridades norte-americanas na tentativa de evitar a aplicação das tarifas. Segundo integrantes do governo, foram apresentadas propostas para responder aos questionamentos dos Estados Unidos, mas não houve avanço nas tratativas. Mesmo diante da confirmação da medida, o governo afirma que continuará buscando diálogo com Washington, ao mesmo tempo em que prepara ações para reduzir os impactos sobre os setores mais afetados.

Texto: Bárbara Letícia
Créditos: g1